Pr Eliel Banner

Pr Eliel Banner
Mostrando postagens com marcador Igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igreja. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Assembly of God

A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
 


ATOS 20.28
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”

INTRODUÇÃO
O Senhor Jesus não moldou nenhuma organização, ou liderança cristã, detalhada. Mas, com uma promessa concernente ao Consolador que havia de vir, ele deu a entender que os apóstolos seriam guiados em toda a verdade com relação a assuntos, como por exemplo, a organização da liderança cristã. Na verdade, o que Cristo fez foi sublime – ele fez da Igreja um organismo vivo.

1. UMA LIDERANÇA ESPIRITUAL
A liderança da Igreja é antes de tudo espiritual. O Novo Testamento fala de líderes como os “que presidem sobre vós no Senhor” (1 Ts 5.12). Deus escolheu governar o seu povo de forma cooperativa. Os seus ministros são constituídos embaixadores que, da parte de Cristo, exercem suas atividades (2 Co 5.20; 1 Ts 4.8; 1 Co 3.9).
Apesar de não ser a preocupação maior, a ordem na Igreja, através da liderança, deve ser mantida para que a fé, o amor e a esperança possam florescer.

2. PASTORES E MESTRES
O Novo Testamento fala com frequência dos pontos essenciais desta liderança na igreja local. Em Atos 20, Paulo convoca os presbíteros de Éfeso para encontrar-se com ele em Mileto, onde lembra-os do seu ministério e encarrega-os da supervisão espiritual da igreja de Éfeso (At 20.28).
Este versículo importante nos fala muitas coisas sobre a liderança nas primeiras igrejas locais. Primeiro, esses homens serviram por indicação divina. Foi o Espírito que os constituiu supervisores. O ministro do evangelho deve sempre sentir a mão de Deus em sua escolha para o serviço. Existe algo sobrenatural no seu chamado (Hb 5.4). Segundo, Atos 20.28 indica que os líderes espirituais da igreja eram chamados anciãos ou supervisores (bispos) ou pastores. A mesma posição podia ser designada por qualquer dos termos. A designação provavelmente mais reveladora de um ministro do evangelho é pastor, em vista da ideia do pastor e suas ovelhas estar profundamente arraigada na linguagem e simbolismo da Bíblia.

3. AS RESPONSABILIDADES DO PASTOR
Atos 20.28 mostra-nos que as responsabilidades do líder espiritual da congregação se divide em três setores principais.
A primeira responsabilidade do pastor é ser um exemplo para o rebanho. Esta nota soa em quase todas as passagens tratando da liderança na Igreja (1 Pe 5.1-3).

A segunda responsabilidade do pastor é administrar o rebanho. Este tipo de supervisão do rebanho exige que o pastor conheça as suas ovelhas. Ele deve caminhar com elas pelos vales e adversidades da vida. Peter T. Forsyth disse: “É preciso conviver com as pessoas para conhecer seus problemas, e viver com Deus para resolvê-los!”[1]
A terceira responsabilidade do pastor é alimentar o rebanho. Isso envolve o que o Novo Testamento considera como o trabalho “na palavra e na doutrina” (1 Tm 5.17; cf. At 6.1-6). Em nossos dias, isso significa que ele deve estudar a Bíblia durante toda a sua vida e possuir a habilidade necessária para transmiti-la eficazmente ao seu povo.

CONCLUSÃO
A Igreja é uma comunhão entre irmãos, uma família, um corpo e um rebanho. Todos os membros desta família são cuidados e liderados por um pastor. Ele é o responsável em velar pelas suas almas, como aquele que prestará contas ao supremo pastor (Hb 13.17; 1 Pe 5.4).
Que Deus ajude seus obreiros nesta gloriosa tarefa. Que o Senhor da seara continue levantando trabalhadores dedicados à causa!



[1] Forsyth, Peter T. Cure of Souls.

sábado, 30 de agosto de 2014

SALMO 84 -- ONDE É BOM ESTAR

SALMO 84 -- ONDE É BOM ESTAR

  
Quando olhamos para a igreja de que participamos, notamos que nela há coisas boas e ruins. 
Muitas vezes, pensamos na igreja, como se não fôssemos parte dela. Mas somos.
Muitas vezes, pensamos na igreja como se fosse apenas um lugar (templo, santuário, tenda, salão). A igreja inclui um lugar, mas é mais que um lugar.
Muitos vezes, pensamos que nossas vidas como homens e mulheres que levam Deus a sério devem ficar guardadas na igreja-templo, como se o nosso compromisso fosse tão restrito quanto o espaço separado para adoração pública.
Muitas vezes, pensamos que podemos viver sem a igreja. E este pensamento vem por experiências amargas e também por egoísmo. 
Então, voltamos a Bíblia e observamos que ela foi escrita para ser lida em público, o que não nos impede de a lermos em particular. Notamos também que muitos dos livros bíblicos foram dirigidos a comunidades, especialmente as cartas apostólicas.
Devemos ter em mente que o movimento deve do particular ao comunitário e do comunitário ao particular. Esta reciprocidade fortalece o indivíduo e a comunidade. 
Com este horizonte diante de nós, ficamos surpresos com a leitura do Salmo 84.

O DEUS DAS METÁFORAS

Primeiramente, somos surpreendidos por suas metáforas. Parece que o poeta sabe que só podemos falar de Deus por metáforas. Fica-nos assim claro que "as metáforas não são apenas o melhor modo para descrever" as verades eternas, "mas são o modo que Deus escolheu para se expressar nas Escrituras" (OSBORNE, Grant. A espiral hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 499.)
Vejamos as metáforas, algumas comuns ao Antigo Testamento e outras exclusivas:

. templo como "lugar da habitação de Deus" (verso 1) -- A ideia vem da crença hebréia de haver um lugar para Deus falar e ser ouvido, herdada da função da arca como símbolo da presença de Deus, razão porque estava guardada numa área específica do templo, chamada de lugar santo dos santos

. "Senhor dos Exércitos" (versos 1, 3, 8 12) -- Este título para Deus (Yahweh Sabaoth, no hebraico) indica a sua invencibilidade

. pardal/altar (verso 3) -- O poeta deseja ser como um pardal (ave que só aparece neste salmo, para indicar um pássaro de pouco valor) ou uma andorinha que ele deve ter visto alguma vez (e agora imagina) fazendo seu ninho junto ao altar, o lugar onde os pecadores são reconciliados com o Deus santo.

. "peregrinos de coração" (verso 5) -- Esta expressão é também exclusiva neste Salmo, conquanto a idéia de uma vida peregrina seja comum tanto no Antigo quando no Novo Tesatmento. O poeta, enquanto se imaginava em peregrinação, reconhece que precisa ir além de um peregrino com os pés, para ser um peregrino da alma, indo além da caminhada e do ritual, para alcançar o prazer enquanto caminha e cultua.

. vale de Baca" (verso 6) -- Vale hoje chamado de Baka, em Israel, é um vale árido, mas nele também Deus está presente. Por causa desta presença, pode-se experimentar chuvas de bênçãos, mesmo durante o outono quando as chuvas são fracas e raras.

. Deus de Jacó (verso 8) -- Esta é uma expressão para se referir a Deus, indicando que Se revelou ao do povo de Israel

. ungido (verso 9) -- Deve-se referir ao rei, que era ungido (com óleo) como uma indicação da escolha por Deus para o exercício de deu ofício. Pode ser aplicado a todos os que amam a Deus (como lemos no Salmo 23 e aprendemos no Novo Testamento, que diz em 2 Coríntios 1.21-22: "Ora, é Deus que faz que nós e vocês permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações como garantia do que está por vir").
. "átrios" (verso 10) --  São as áreas externas (pátios) do templo, onde o acesso era livre, já que entrada no interior do templo era menos comum.

TRÊS COMPROMISSOS NECESSÁRIOS
A partir da leitura do Salmo 84 podemos derivar algumas convites ao leitor moderno.

1. Precisamos de um compromisso com a Igreja de Deus.
Nosso compromisso com a igreja deve resultar do nosso compromisso com o Deus da igreja (verso 1).
Devemos ir além do ritual, como peregrinos do coração (verso 5) que tiram alegria até da adversidade (simbolizada na aridez do vale do Baca) ou mesmo da rotina
A igreja será um lugar insubstituível se nela a Palavra de Deus foi lida e explicada, com o convite a que cada um aplique na sua vida.
A igreja será relevante se permitir e estimular que as pessoas tenham comunhão e sejam mutuamente fortalecidas.
A igreja valera se foi efetivamente usada por Deus para multiplicar a sua graça pelo mundo. 
A igreja deve ter um lugar no nosso coração se for uma referência de justiça no tempo e no lugar em que estiver.

2. Precisamos de um compromisso em confiar em Deus.
Não precisamos confiar na igreja, que significaria confiar em nós mesmos, em outros poderes humanos ou instituições humanos. Elas precisam de nossa cooperação, não de nossa confiança.
Precisamos renovar nosso compromisso em confiar em Deus? Como sabemos se confiamos nEle. O teste é: se confiamos nEle, descansamos nEle.
Quem confia não espera em Deus por ser digno, mas procura ser digno por que confia em Deus. Não somos abençoados por sermos retos. Somos retos porque confiamos. Não precisamos "usar"as pessoas, porque Deus nos proverá.

3. Precisamos de um compromisso com uma vida íntegra
A participação na igreja (peregrinação até o templo) precisa desembocar numa conduta digna (verso 11).  A experiência do culto deve ir além do momento.
O culto deve nos ensinar a viver uma vida digna do Evangelho. Cada culto deve ser uma experiência de autopercepção de nossa indignidade e um desejo por santidade.
Nossa participação na igreja reunida deve nos fortalecer para vivermos pela força de Deus. Podemos viver sozinhos ou ser fortalecidos mutuamente na e pela comunidade. Dela participando,  fortalecemos os outros.
Nossa experiência de adoração coletiva deve nos capacitar para enfentar, individualmente, as adversidades com fé inabalável. Se o culto é uma visão da glória de Deus e levamos esta visão para a vida, no dia a dia, esta visão continuará conosco, de modo a vermos os problemas como Deus os vê.
Tudo o que cantamos e tudo o que ouvimos no culto só terá valor se nos capacitar a ter uma ética peregrina (focada em Deus, não nos nossos direitos)

Então, cada um de nós pode desejar assim.

Há muitos lugares para eu estar,
mas onde quero é onde posso louvar,
ali onde posso fazer meu ninho,
ali onde Deus me dá carinho,
enquanto palavras de amor lhe alinho. 

Há muitos lugares para passear,
mas meu destino para viajar
é onde posso fazer minha oração
e ser ouvido em minha lamentação
como um peregrino do coração.

Há tantas e tantos em que me firmar,
mas sei que devo com todos estar,
mas só em Deus minha alma descansa
mesmo quando no vale avança
crente tão só no cuidado da confiança.

ISRAEL BELO DE AZEVEDO


quinta-feira, 15 de maio de 2014

SARDES, A IGREJA QUE DEUS QUER AVIVAR

O AVIVAMENTO NA IGREJA
Sardes, a Igreja que Deus Quer avivar
(estudO 200 - BOLETIM 63)

"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante de seus anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Apocalipse 3: 1-6



Introdução
Frequentemente julgamos os outros pela aparência. Observamos o comportamento e tentamos entender os motivos. Jesus julga os corações. Ele vê o caráter verdadeiro de cada pessoa e de cada igreja. Quando enviou esta carta ao mensageiro da igreja em Sardes, ele contrariou a impressão popular dos discípulos. Apesar de ter a reputação de uma igreja forte e ativa, ele viu as falhas e sabia que aquela congregação já estava quase morta. Se não voltasse a viver, seria tomada de surpresa, como se fosse por um ladrão.
A igreja em Sardes foi morrendo aos poucos, até esvaziar-se por completo do Espírito Santo. Agora, já não passa de um cadáver. Mas aos olhos humanos, parecia bem viva. Assemelhava-se aos defuntos preparados em ricas funerárias. Bem maquiada e vestida ricamente, impressionava por sua vida sem vida. Ela, porém, já começava a cheirar mal. Muitas igrejas hoje assemelham-se a Sardes. Morreram e não o sabem. Vivem do passado, pois já não existem no presente. Ao invés do registro do novo nascimento o que fazem jus é ao atestado de óbito, o que poderia ter sido evitado, bastando buscar um avivamento. Todavia, o Senhor Jesus quer reavivá-las. O Espírito Santo haverá de soprar-lhes a vida, para que se reergu;lkjam neste vale de ossos sequíssimos. Somente um reavivamento ressuscitará as igrejas que, apesar de terem história, já não fazem história.


I. A IGREJA EM SARDES
1. A cidade de Sardes
A cidade de Sardes, por estar situada a quinhentos metros acima do nível do mar, considerava-se inexpugnável. Ela orgulhava-se também de seus fabulosos tesouros. Suas abundâncias vinham, em parte, do rio Pactolos, que lhe fornecia ouro e prata em grandes quantidades. Suas águas, de tão excelentes eram tidas como indispensáveis a boa saúde. Sardes fazia parte do Reino da Lídia, cujos monarcas tornaram-se notórios por sua magnificência. Haja vista o fabuloso Creso. Ascendendo ao trono no sexto século A.C., este rei acumulou tantos bens, que o seu nome veio a tornar-se sinônimo de riqueza. No mundo antigo, este ditado era corrente: “Rico como Creso”. Quem visita hoje, a Turquia, espantasse com as ruínas de Sardes. Nem sombra há daquele reino que se elevava aos céus.

2. A Igreja em Sardes
Fundada provavelmente pelo apóstolo Paulo, a igreja em Sardes exalava abundante vida. De um amontoado de gente oriunda de várias etnias, o Espírito Santo batizou a todos no corpo de Cristo (Rm 6.3). E apesar da diversidade cultural, todos agora achavam-se irmanados no Autor da vida (Nm 27,16; Jo 17.2; At 3.15). Mas não demorou muito, e Sardes começou a necrosar-se; morria e não percebia que estava morrendo (Ap 3.1). Sardes, agora, vivia de aparências. Embora parecesse avivada, jazia sem vida. Sua liturgia até lembrava o cenáculo, mas não passada de uma bem ritmada marcha fúnebre. Este é o retrato de algumas igrejas. No exterior, bela apresentação caiada, no interior o acúmulo de mortos (Mt 23.27). E os que ainda vivem já não suportam o mal cheiro dos que apodrecem moral e espiritualmente.

3. Aquele que tem os sete Espíritos de Deus
Sete representa a totalidade e a perfeição divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (4:5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (5:6). Deus sabe tudo e vê tudo (veja 2 Crônicas 16:9). Nada em Sardes seria escondido de Jesus.

"As sete estrelas."
Jesus não somente vê, ele também controla. Ele segura os mensageiros das igrejas na sua mão direita (1:16,20). Pode ver, julgar e até castigar . Apresenta-se Jesus, também como o soberano da Igreja. Tanto local quanto universalmente. Ele é a cabeça da Igreja, pois resgatou-a com seu precioso Sangue (Ef 5.23; 1 Pe 1.17- 19). Eis porque os pastores, no Apocalipse, são representados como as estrelas que se acham na destra do Cordeiro (Ap 1.20; 3.1). Portanto, se alguém quer brilhar, que brilhe nas mãos do Senhor como luz em um mundo que jaz no maligno.

À igreja de Sardes, apresenta-se Jesus como aquele "que tem os sete Espíritos de Deus".
Dessa forma, o Senhor realça a ação plena do Espírito Santo na Igreja de Cristo. Somente o Consolador pode vivificar uma igreja morta. Lembra-se do vale de ossos secos visto por Ezequiel? Se buscarmos a Deus, o Senhor Jesus assoprará sobre nós o seu Espírito. Cada osso com o seu osso se ajuntará; os nervos e tendões aparecerão e as carnes e peles vestirão todos os esqueletos, prontificando-os como o poderoso exército de Jeová (Ez 37).

"O que tem os sete Espíritos de Deus." (Ap 3.1)
Era urgente que Sardes soubesse: sem o Espírito Santo, a vida é impossível. Foi Ele quem transmitiu movimento e beleza a uma terra sem forma e vazia (Gn 1.1,2). No ventre da virgem de Nazaré, concebeu o Filho de Deus (Lc 1:35). E no Pentecostes, derramou-se sobre os discípulos (At 2.1-4). Sem o Espírito Santo, não há regeneração, pois o novo nascimento é operado por Ele (Jo 3.5). Se Sardes estava morta, carecia com urgência do Espírito da vida (Rm 8.2). Existe apenas um único Espírito Santo (Ef.4.4). Sua ação, todavia, é tão perfeita e eficaz, que Isaías por sete vezes descreve: “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor“ (Is 11.2).
Através da sétupla ação do Espírito Santo, o Senhor Jesus traz novamente vida as igrejas que, à semelhança de Sardes, deixaram-se esvaziar de Deus.

"Tens nome de que vives, e estás morto."
Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A boa fama não ocultou a verdadeira natureza desta congregação dos olhos do Senhor.

III. A DOENÇA E A MORTE DE UMA IGREJA
Aos olhos das demais igrejas Sardes exibia-se bela e viva. Mas aos olhos de Cristo, não passava de um defunto bem produzido. Aliás, a sua certidão de óbito já estava lavrada com a explicação da causa mortis.

1. Perda de memória
A primeira doença a atingir a igreja em Sardes foi a perda de sua memória espiritual. Embora vivesse do passado, já não consegue lembrar-se do que recebera de Deus. A exortação do Senhor é urgente: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te” (Ap 3.3a) A situação de Sardes era mais grave do que a de Éfeso. Esta igreja ainda podia lembrar-se do primeiro amor e voltar ao local onde caíra. Mas aquela, estando morta, carecia de uma ressurreição; um grande e poderoso avivamento. O Senhor Jesus, porém, tanto nos restaura a memória espiritual, como nos faz ressurgir dentre os mortos (Ef 5.14).

2. Desleixo
Esta foi a segunda doença de Sardes: desleixo. Embora não sejamos perfeitos, nossas obras tem de primar pela excelência. A igreja em Sardes, todavia, desprezando o padrão divino, fizera-se tão relapsa, que o Senhor já não a suportava: “Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus” (Ap 3.2). No âmbito do Reino de Deus a perfeição é o padrão mínimo aceitável, conforme recomenda o apóstolo: “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria." (Rm 2.7,8). A perfeição na Igreja de Cristo só é possível se amarmos o Cristo da Igreja (Jr 48.10).

3. Descanso para com o remanescente fiel
No necrotério de Sardes, havia alguns crentes que ainda respiravam. E o Senhor estava preocupado com eles: "Sê vigilante, e confirma os restantes que estava para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus” (Ap 3.2). Jesus queria preservar a vida daqueles poucos homens e mulheres que não haviam contraído a moléstia deste século: orgulho, rebelião, adultério, fornicação, heresia, roubo, cobiça, calúnias, etc. É hora de confirmar os que ainda respiram. Confirmemos através da Palavra de Deus, da oração, da comunhão dos santos e do serviço evangelístico e missionário. Quanto aos que já morreram, que ouçam a voz do nosso Senhor Jesus Cristo: “Desperta ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5.14).

"Sê vigilante."
Por falta de cuidado, Sardes caiu diante dos seus inimigos em guerra. Espiritualmente, discípulos e igrejas caem por falta de vigilância. Muitas passagens no Novo Testamento frisam a importância da vigilância, pois o pecado nos ameaça (Mateus 26:41; 1 Pedro 5:8). Falsos mestres procuram devorar os fiéis (Atos 20:29-31). Não devemos descuidar, porque não sabemos a hora que o Senhor vem (Mateus 24:42,43; 25:13; Lucas 12:27-39; 1 Coríntios 16:13; 1 Tessalonicenses 5:6). O bom soldado toma a armadura de Deus e vigia constantemente com perseverança e oração (Efésios 6:18; Colossenses 4:2).

"Consolida o resto que estava para morrer."
Uma última tentativa de resgate (veja Judas 22-23). A igreja em Sardes estava quase morta, mas ainda houve uma esperança de salvar alguns, ou talvez até de reavivar a congregação.

"Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus."
Para ter a reputação de ser uma igreja viva, parece que ainda havia alguma atividade em Sardes. O problema não foi a ausência total de obras, mas a falta de integridade delas. É possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (2:2-4). É possível obedecer mandamentos de Deus sem inteireza de coração (2 Crônicas 25:2). É possível fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê os corações, também.

"Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te"
Como a cidade de Sardes olhava para seu passado glorioso, a igreja precisava lembrar as grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação do pecado, facilmente cairemos no pecado (veja 2 Pedro 1:8-9). Para nos firmarmos na fé, temos que lembrar do que temos recebido. Não é por acaso que a Ceia do Senhor foi dada como a celebração central das reuniões dos cristãos. Quando lembramos da morte de Jesus, do sacrifício que ele fez por nós, ficamos mais firmes em nossos passos rumo ao céu (1 Coríntios 11:24-26). Mas não é suficiente lembrar das coisas que ouvimos; precisamos guardar as palavras do Senhor. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17). No caso do povo desobediente de Sardes, teriam de se arrependerem para voltar às boas obras de obediência.

"Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti."
A figura de um ladrão encontrando pessoas despreparadas é comum nas Escrituras. Jesus empregou esta ideia várias vezes no seu trabalho entre os judeus (veja Mateus 24:43; Lucas 12:39) e os apóstolos imitaram este exemplo nas suas cartas (1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10). No Apocalipse, Jesus prometeu vir como ladrão, encontrando despreparadas as pessoas que não vigiavam (16:15).

"Poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras."
No meio de uma igreja quase morta, Jesus encontrou algumas pessoas fiéis! Este fato nos lembra de que o julgamento final será individual (veja 2:23; 22:12). Cada um receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10). Embora as cartas fossem destinadas às sete igrejas, as mensagens precisavam ser aplicadas na vida de cada discípulo. A salvação não é coletiva; é individual. Ao mesmo tempo, não devemos interpretar este versículo para justificar tolerância de pecado aberto numa igreja. Pessoas que sabem do pecado e não agem para corrigí-lo não podem alegar ter vestiduras brancas, pois desobedecem a palavra de Deus (Gálatas 6:1-2; Mateus 18:15-17; Tiago 5:19-20; etc.). Não devemos ser participantes nem cúmplices nas obras das trevas (Efésios 5:7,11).

"Andarão de branco junto comigo."
Já andavam de vestidura branca, sem as manchas do pecado. Esperavam andar com Jesus de roupas brancas, representando a vitória final sobre o pecado. “Linho finíssimo, resplandecente e puro... são os atos de justiça dos santos” (19:8). É Deus quem nos aperfeiçoa e nos equipa para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17).

"Pois são dignos."
Estes fiéis são dignos, não por mérito próprio, mas por serem pessoas salvas pela graça, pessoas que andam nas boas obras determinadas por Deus (Efésios 2:8-10).

"O vencedor ... vestiduras brancas."
A mesma promessa feita aos puros em Sardes se aplica geralmente ao vencedor. Terá vestiduras brancas de pureza e vitória. As pessoas de vestiduras brancas participam da grande festa de louvor ao Cordeiro em Ap 7:9.

"De modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida."
O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (veja 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27; Filipenses 4:3). Paulo disse que as pessoas que cooperavam com ele no evangelho tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Filipenses 4:3). Jesus disse que os nomes dos vencedores que se mantêm puros não seriam apagados deste livro (3:5). Em contraste, os que rejeitam a palavra de Deus e servem falsos mestres não têm seus nomes escritos no Livro da Vida (13:7-8; 17:8). No julgamento descrito em 20:11-15, esses são condenados ao lago de fogo. Por outro lado, na cidade iluminada pela glória de Deus, somente entram aqueles cujos nomes estão inscritos no Livro da Vida (21:27).

"Confessarei o seu nome diante de meu Pai."
Jesus prometeu confessar diante do Pai todo aquele que confessa o nome dele diante dos homens. Prometeu, também, negar o nome daquele que se envergonhar dele (Mateus 10:32-33; Marcos 8:38).

"Quem tem ouvidos, ouça."
Todos devem prestar atenção!





Conclusão
O processo de morte de uma igreja pode acontecer lentamente, passando quase despercebido. As próprias pessoas na congregação, como outras pessoas olhando de fora, podem achar que esteja tudo bem. Jesus, porém, julga os corações e conhece o estado verdadeiro de cada igreja e cada discípulo. Quando ele nos chama para ouvir, devemos prestar atenção!

Se o anjo da igreja em Sardes não cumprisse os seus deveres, teria o nome riscado do Livro da Vida: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5).
Sabe o que isso significa? Separação eterna de Deus. Sim, desempenhar o ministério Cristão de forma relapsa e profana pode levar o obreiro a comprometer a própria salvação, muito cuidado!
Finalmente irmãos, a Igreja de Cristo é lugar de vivos! Nosso Deus não é Deus de mortos! (Mc 12.27)

PR. MARCOS KREBS
MAIO DE 2014

BIBLIOGRAFIA
DONALD C. STAMPS, M.A.,M.DIV. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL
ANDRADE  CLAUDIONOR DE PR., ESCRITOR. OS SETE CASTIÇAIS DE OURO A MENSAGEM FINAL DE CRISTO À IGREJA.
A.KNIGHT & W. ANGLIN.  HISTÓRIA DO CRISTIANISMO
LOPES, JOSE GERALDO PR.  A ÚLTIMA PALAVRA DE JESUS A SUA IGREJA. 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Crente de Água Parada

Posted: 26 Mar 2013 | seabravinicius.blogspot.com.br | por Vinicius Seabra
     

“Para a árvore pelo menos há esperança: se é cortada, torna a brotar, e os seus renovos vingam. Suas raízes poderão envelhecer no solo e seu tronco morrer no chão; ainda assim, com o cheiro de água ela brotará e dará ramos como se fosse muda plantada”.
Jó 14:7-9 (NVI) 
O Brasil tem feito inúmeras campanhas contra a Dengue, uma enfermidade causada pela picada de um mosquito conhecido como Aedes Aegypti. Há vários casos de pessoas infectadas que não apresentam nenhum sintoma, porém o tipo mais comum em terras tupiniquins é Dengue Clássica que é uma forma mais leve da doença e se assemelha à gripe. Nestes casos os sintomas são febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros. O mosquito nasce e se reproduz em água parada, limpa, e de preferência em recipientes fabricados pelo homem, como latas, pneus, vasos etc., dentro ou perto das habitações humanas. Estas informações são maciçamente disseminadas pela mídia como forma de prevenção e orientação à população a fim de tentar erradicar ou pelo menos minimizar possíveis epidemias de Dengue. Paralelamente, e de forma figurativa, a igreja também está em perigo, pois há um tipo de Dengue Espiritual que está sendo desenvolvida em algumas igrejas com água parada.
O crente aedes aegypti nasce e se reproduz naquelas igrejas que são por natureza água parada. Contudo, diferentemente do criadouro do mosquito que é fácil de detectar por conta da inquestionável água parada, tal alínea no tipo Dengue Espiritual é dificílimo de ser diagnosticado, pois há muita agitação nas igrejas em nome daquele que é a Água Viva. Portanto, se faz necessário distinguir ações práticas da fé em contraposição a dominical euforia espiritual coletiva. O clamor do evangelho bíblico é que a fé dos cristãos não seja simplesmente espiritual, mas principalmente prático, a saber:  “...pelas obras a fé foi aperfeiçoada” - Tg. 2:22; “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho...” - Ap. 2:2; “...não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra...” - 1 Jo. 3:18. Sendo assim, é desnudado o pano espiritualístico subjetivo e fica notório que as igrejas com água parada são aquelas que resumem a fé dos fieis em cultos dominicais, que limitam a liturgia há alguns clérigos, que minimizam o cristianismo a atos profético-espirituais, que banham os membros de palavras positivistas e que geram cristãos com ricos em discursos farisaicos. Portanto, igrejas com água parada são aquelas que espiritualizam tudo, tornando o evangelho num amuleto mágico sem implicações práticas para a vida em comunidade.
O crente aedes aegypti só fica batendo asas por ai, vive voando, “distante” da terra, quando pousam é para picar e enfermar os que estão trabalhando na seara. Estes são aqueles que não contribuem para a edificação do Reino, mas sempre tem um discurso positivista engordurado de orgulho espiritualista. Estes se acham grandes e fortes, mas são apenas mosquitos olhando por cima. Este tipo de crente, por ser fruto de igrejas de água parada, sempre buscarão outras igrejas com água parada para poder procriar (leia-se discipular). De certa forma é fácil encontrar os crentes-agypti’s, pois estes fogem da prática cristã, preferem apenas um discurso distante. Entretanto, e aparentemente paradoxal, uma igreja cheia destes mosquitos espirituais pode se passar despercebido em sua comunidade local, pois se acostumam com os sintomas da doença (Dengue Espiritual) e já não sabem distinguir os sãos dos doentes. Aliás, algumas vezes dá a impressão que quanto mais doente a pessoa está mais provável é que ela seja coroada como líder do bando – principalmente por causa dos delírios espirituais ocasionado pela alta febre igrejeira.
O triste cenário de igrejas com água parada que produzem os crentes aegypti´s são uma realidade no contexto brasileiro. Todavia, é válido relembrar que estes não se enquadram na proposta de cristianismo desenhada no Novo Testamento. O padrão de igreja neotestamentária se assemelha a um rio que tem sua fonte existencial na Água Viva e cujas correntes desaguam para/no Eterno. É neste modelo de igreja rio que há vida; é neste lugar que a operosidade da fé se manifesta como refrigério; é neste cristianismo que o sedento encontra água para lavar seus pecados; é neste ambiente que o simples escutar do movimento das águas produz cura para a alma cansada. Enfim, como que vislumbrando uma bandeira de esperança, pode-se afirmar que há vida cristã longe da água parada. Portanto, o convite é que se aproxime do Rio da Vida. 
Ps.: conforme prometido, dedico este artigo ao Pr. Dalton Rios, pastor da Igreja Evangélica Missionária Maranata em Goiânia (Go), que durante uma aula no Seminário Evangélico de Teologia da América Latina deu o “insight” necessário para a presente reflexão. 
Fortalecido pela cruz de Cristo,
Vinicius Seabra | vinicius@mtn.org.br